O Serviço Social e a sua relação ética

29 de setembro de 2009

Um certo dia, ouvi algo que me entristeceu, uma suposta colega desabafou e deu o seguinte “conselho”: “Estou trabalhando em um município X e se vocês recém-formadas quiserem se dar de bem, joguem seu código de ética no lixo”. Estremeci-me toda e pior de tudo é que outras balançavam a cabeça concordando. Parei e pensei, quer dizer que estudei 4 anos e toda aquela teoria de luta e conquistas estabelecida pela profissão e seu código de ética, são mera baboseiras?

Mas não se desesperem caros (as)  formandos(as) e colegas de luta, que acreditam na ética, pois agir profissionalmente de forma ética é uma postura a ser tomada incondicionalmente e o Know How do Serviço Social deve ser pautado nos princípios estabelecidos eticamente, que no trato das relações com os usuários dos serviços socioassistenciais deverá contribuir para a viabilização da participação efetiva da população nas decisões institucionais, garantindo a estes, a plena informação e discussões sobre as possibilidades e consequências das situações demandadas, no respeito democrático de suas decisões mesmo que estas possam ser contrárias aos valores e crenças do assistente social, além de contribuir para a criação de mecanismos que venham a permitir a desburocratização dos serviços garantindo este acesso de forma ágil concomitante a urgência da demanda e na melhora dos serviços prestados.

Para um atendimento acolhedor e ético, o assistente social nunca deverá exercer sua autoridade para limitar ou cercear o direito dos usuários de participarem e decidirem de forma livre no trato de seus interesses, não compete aproveitar-se da relação com os mesmos para buscarem vantagens pessoais ou para terceiros e jamais bloquear o acesso dos usuários aos serviços oferecidos pelas instituições, através de atitudes que venham coagir, constranger ou desrespeitar com aqueles que buscam seus direitos.

Meu maior prazer é ver um usuário sair do atendimento social mais esclarecido de seus direitos e tê-los garantido, bem como, satisfeito com o bom atendimento, se sentindo valorizado mesmo que o mundo os exclua.  As lutas são grandes, as dificuldades maiores aindas, todavia nada poderá comprar a sua sabedoria e satisfação de ver o Código de ética fora do lixo!

REFERÊNCIAS

CÓDIGO DE ÉTICA do assistente social. Lei 8662/93 de regulamentação da profissão. 3 ed. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 1997.

Auto-reflexão sobre a ética

24 de setembro de 2009

Partindo na análise individual de uma conduta ética frente ao mundo, considero que ser ético no cotidiano das relações sócio – políticas dentro de uma sociedade capitalista, onde a ideologia do individualismo está impregnada inconscientemente  no agir dos indivíduos, não é tarefa fácil de lidar.

Como somos responsáveis pelas nossas ações, sejam éticas ou não, é importante entender que os conflitos vão existir, contudo como atores desse processo reflexivo quanto a ética, não podemos descartar o compromisso de uma postura profissional que conforme Sá, as virtude éticas de qualquer trabalho são visíveis, quando existir: o zelo em oposição a atitudes negligentes, a honestidade garantindo uma relação de confiança, o sigilo profissional- sem este não haverá a manutenção dos vínculos – e para completar de forma eficiente e eficaz uma atitude ética temos que ser competentes.

Reforçando as virtudes acima é preciso tomada de atitudes éticas, e concordo com Marcondes (2007) quando explica que uma atitude ética autêntica é a não admissão de dicotomia, pois “não faria sentido um comportamento ético restrito apenas a um plano interno e um comportamento oposto no plano externo”.

Outro aspecto importante a ser pontuado é a ética e o meio ambiente que após assistir “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore, descobri que apesar da teorização das questões ambientais que conheço, estas são muitas vezes violadas por mim quando reforço a destruição ambiental mesmo que de forma indireta, ou seja, ainda continuo a poluir o meio ambiente com a descarga do meu carro, a contribuir para o aumento do lixo devido ao consumo inconsciente de alimentos e compras de materiais, móveis e objetos por puro status e/ou movido pelo consumismo capitalista, a não reciclagem do lixo, ao consumo de água desnecessário e outros. E nestas questões me questionei: será que estou agindo eticamente com meu meio? Como será o futuro das próximas gerações se continuarmos a agir desta forma? Esses questionamentos ainda me incomodam e fico sem perspectivas se melhoraremos e tomaremos consciência de nossos atos.

De acordo com Pizzarro (2000), “Nossa vida é uma constante reavaliação de valores. A cada nova situação somos desafiados a reforçar ou a abandonar o que pensamos …”.

E o meu desafio hoje é refletir de forma mais profunda quanto a percepção ecológica que os indivíduos, a começar de mim, precisam tomar em busca de uma nova forma de se viver, abandonado padrões e comportamentos meramente fúteis de consumo e produção e pensar mais quanto as consequências que este padrão tem trazido e questionar a ideologia materialista, pois se continuarmos a não atentar para as questões ambientais muitas catástrofes virão acontecer e não terá dinheiro no mundo que poderá mudar isso.

REFERÊNCIAS

DE  LIBERAL, Márcia Mello Costa (Org.). Um olhar sobre a ética e cidadania. São Paulo:Ed Mackenzie, 2002.

GORE, AL. UMA Verdade inconveniente:um aviso global.

MARCONDES, Danilo. Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. Rio de Janeiro: Zahar,2007.

PIZZARRO, Cíntia Marques. Ética e profissionalismo frente a novos paradigmas. Revista do professor, Porto Alegre, 16 (62), n50, abr/jun, 2000.

SÁ, A.L. Virtudes básicas profissionais. São Paulo: Atlas. {s.m.r}