Educação a distância e o Serviço Social

2010
01.26

Em setembro/2009 foi elaborada e aprovada no 38º Encontro Nacional em Campo Grande (MS), a

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES E TRABALHADORES DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA EM SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL.

Particularmente ao ler a Carta, concordo plenamente quanto a luta por um ensino superior de qualidade, gratuito, universal, laico e presencial.  Não conheço a finco o ensino  a distância, mas em contato e entrevista com alguns(mas) estudantes EAD, percebo seu empenho e dedicação apesar das fragmentações metodológicas. E o que mais me surpreendeu são os relatos por estes (as) mencionados, pois segundo os(as) mesmos (as) sofrem preconceito por parte de assistentes sociais por serem EAD, justamente por aqueles(as) que se dizem lutar contra estas práticas. Conforme um relato “quando digo ser estudante EAD nem me recebem”.

Apesar de lutarmos por um ensino superior melhor, não podemos fazer desta luta uma intolerância às pessoas, pois na Carta está bem claro que não se está impedindo “quem quer que seja de estudar” , infelizemnte vem ocorrendo uma transferência de repúdio, sei que não são todos os profissionais que agem desta maneira e acredito que devemos cobrar mesmo do Estado e do Ministério da Educação a igualdade de acesso e um ensino, não somente o superior, mas como também, o básico e o médio de QUALIDADE!!!

Quando recebo o convite para fazer uma entrevista com estudantes EAD os(as) recebo como qualquer outro(a)  presencial e passo tudo que puder e planto sempre que possível uma sementinha quanto a importância de um ensino de qualidade e não os (as) repudio só porque são EAD.

TEMOS QUE REPUDIAR ESSA POLÍTICA EDUCACIONAL FRAGMENTADA E NÃO AS PESSOAS.

CRAS – Centro de Referência de Assistência Social

2009
10.26

“O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma unidade pública da política de assistência social, de base municipal, integrante do SUAS, localizado em áreas com maiores índices de vulnerabilidade e risco social, destinado à prestação de serviços e programas socioassistenciais de proteção social básica às famílias e indivíduos, e à articulação destes serviços no seu território de abrangência, e uma atuação intersetorial na perspectiva de potencializar a proteção social.” (MDS, 2008). Para saber mais informações a respeito de orientações técnicas –CRAS,

Veja aqui mais detalhes

Faça você também parte desta Campanha: Lutar por Direitos, romper com a Desigualdade

2009
10.15

A Campanha promovida pelo CFESS-Conselho Federal de Serviço Social, que ao meu ver, merece toda contemplação, por se tratar de uma  grande reflexão a respeito desta temática. Não podemos nos acomodar e ver a injustiça social continuar, o fosso social aumentar, a disparidade de classe e alarmante diferença da distribuição da riqueza tomarem contar de nossa capacitade de lutar por um mundo mais digno. Mais informações sobre esta Campanha: Veja aqui mais detalhes

O Serviço Social e a sua relação ética

2009
09.29

Um certo dia, ouvi algo que me entristeceu, uma suposta colega desabafou e deu o seguinte “conselho”: “Estou trabalhando em um município X e se vocês recém-formadas quiserem se dar de bem, joguem seu código de ética no lixo”. Estremeci-me toda e pior de tudo é que outras balançavam a cabeça concordando. Parei e pensei, quer dizer que estudei 4 anos e toda aquela teoria de luta e conquistas estabelecida pela profissão e seu código de ética, são mera baboseiras?

Mas não se desesperem caros (as)  formandos(as) e colegas de luta, que acreditam na ética, pois agir profissionalmente de forma ética é uma postura a ser tomada incondicionalmente e o Know How do Serviço Social deve ser pautado nos princípios estabelecidos eticamente, que no trato das relações com os usuários dos serviços socioassistenciais deverá contribuir para a viabilização da participação efetiva da população nas decisões institucionais, garantindo a estes, a plena informação e discussões sobre as possibilidades e consequências das situações demandadas, no respeito democrático de suas decisões mesmo que estas possam ser contrárias aos valores e crenças do assistente social, além de contribuir para a criação de mecanismos que venham a permitir a desburocratização dos serviços garantindo este acesso de forma ágil concomitante a urgência da demanda e na melhora dos serviços prestados.

Para um atendimento acolhedor e ético, o assistente social nunca deverá exercer sua autoridade para limitar ou cercear o direito dos usuários de participarem e decidirem de forma livre no trato de seus interesses, não compete aproveitar-se da relação com os mesmos para buscarem vantagens pessoais ou para terceiros e jamais bloquear o acesso dos usuários aos serviços oferecidos pelas instituições, através de atitudes que venham coagir, constranger ou desrespeitar com aqueles que buscam seus direitos.

Meu maior prazer é ver um usuário sair do atendimento social mais esclarecido de seus direitos e tê-los garantido, bem como, satisfeito com o bom atendimento, se sentindo valorizado mesmo que o mundo os exclua.  As lutas são grandes, as dificuldades maiores aindas, todavia nada poderá comprar a sua sabedoria e satisfação de ver o Código de ética fora do lixo!

REFERÊNCIAS

CÓDIGO DE ÉTICA do assistente social. Lei 8662/93 de regulamentação da profissão. 3 ed. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 1997.

Auto-reflexão sobre a ética

2009
09.24

Partindo na análise individual de uma conduta ética frente ao mundo, considero que ser ético no cotidiano das relações sócio – políticas dentro de uma sociedade capitalista, onde a ideologia do individualismo está impregnada inconscientemente  no agir dos indivíduos, não é tarefa fácil de lidar.

Como somos responsáveis pelas nossas ações, sejam éticas ou não, é importante entender que os conflitos vão existir, contudo como atores desse processo reflexivo quanto a ética, não podemos descartar o compromisso de uma postura profissional que conforme Sá, as virtude éticas de qualquer trabalho são visíveis, quando existir: o zelo em oposição a atitudes negligentes, a honestidade garantindo uma relação de confiança, o sigilo profissional- sem este não haverá a manutenção dos vínculos – e para completar de forma eficiente e eficaz uma atitude ética temos que ser competentes.

Reforçando as virtudes acima é preciso tomada de atitudes éticas, e concordo com Marcondes (2007) quando explica que uma atitude ética autêntica é a não admissão de dicotomia, pois “não faria sentido um comportamento ético restrito apenas a um plano interno e um comportamento oposto no plano externo”.

Outro aspecto importante a ser pontuado é a ética e o meio ambiente que após assistir “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore, descobri que apesar da teorização das questões ambientais que conheço, estas são muitas vezes violadas por mim quando reforço a destruição ambiental mesmo que de forma indireta, ou seja, ainda continuo a poluir o meio ambiente com a descarga do meu carro, a contribuir para o aumento do lixo devido ao consumo inconsciente de alimentos e compras de materiais, móveis e objetos por puro status e/ou movido pelo consumismo capitalista, a não reciclagem do lixo, ao consumo de água desnecessário e outros. E nestas questões me questionei: será que estou agindo eticamente com meu meio? Como será o futuro das próximas gerações se continuarmos a agir desta forma? Esses questionamentos ainda me incomodam e fico sem perspectivas se melhoraremos e tomaremos consciência de nossos atos.

De acordo com Pizzarro (2000), “Nossa vida é uma constante reavaliação de valores. A cada nova situação somos desafiados a reforçar ou a abandonar o que pensamos …”.

E o meu desafio hoje é refletir de forma mais profunda quanto a percepção ecológica que os indivíduos, a começar de mim, precisam tomar em busca de uma nova forma de se viver, abandonado padrões e comportamentos meramente fúteis de consumo e produção e pensar mais quanto as consequências que este padrão tem trazido e questionar a ideologia materialista, pois se continuarmos a não atentar para as questões ambientais muitas catástrofes virão acontecer e não terá dinheiro no mundo que poderá mudar isso.

REFERÊNCIAS

DE  LIBERAL, Márcia Mello Costa (Org.). Um olhar sobre a ética e cidadania. São Paulo:Ed Mackenzie, 2002.

GORE, AL. UMA Verdade inconveniente:um aviso global.

MARCONDES, Danilo. Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. Rio de Janeiro: Zahar,2007.

PIZZARRO, Cíntia Marques. Ética e profissionalismo frente a novos paradigmas. Revista do professor, Porto Alegre, 16 (62), n50, abr/jun, 2000.

SÁ, A.L. Virtudes básicas profissionais. São Paulo: Atlas. {s.m.r}

O ato de estudar

2009
09.09

FREIRE, Paulo. Pausa para pensar: considerações em torno do ato de estudar. (Digitado). [s.m.r.].

 RESENHA

 

Por  Santiane Araújo Godinho[*]

 

Paulo Reglus Neves Freire, nasceu na cidade de Recife-PE no ano de 1921. Exerceu com maestria o seu papel de educador – de professor a criador de idéias e métodos. Expressou a sua filosofia em 1958 na sua tese de concurso para ingresso da Universidade Federal do Recife como professor das disciplinas de História e Filosofia da Educação. É dessa época as suas primeiras experiências de alfabetização.

 

É vasta sua produção literária. Do livro Ação cultural para a liberdade e outros escritos foi selecionado o texto Considerações do ato de estudar, onde afirma que toda aprendizagem passa obrigatoriamente pelo ato de estudar.

 

Considera que estudar é realmente um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma postura crítica e sistemática, além de disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a. Reforçando esta idéia, é que Holanda (1967) apud UNIFESP diz que estudar é basicamente aplicar a inteligência para aprender, ou seja, é preciso agir, é ação, é sair da inércia e construir conhecimento.

 

Aborda também a existência de uma “educação bancária” que visa tão somente a memorização. Quem estuda não pode e não deve ser um repositório de conhecimentos e teorias pré-estabelecidas pelo professor, sendo indispensável criticidade para a busca da compreensão.

 

Assim, esta postura crítica, para Freire torna-se instrumento fundamental e indispensável ao ato de estudar, pois segundo o mesmo é preciso que o estudante execute algumas atitudes, que serão nesta obra relacionadas com outros aspectos, já que, conforme UNIFESP, quando se exerce o ato de estudar a pessoa acaba desenvolvendo diferentes funções psicológicas[†] e operações mentais[‡] objetivando a desenvolver estruturas cognitivas mais flexíveis, amplas e integradas, desenvolvendo a capacidade de realizar novas relações e conceitos a fim de construir conhecimento, vejamos:

 

a) Para Freire o sujeito precisa assumir o papel de sujeito no ato de estudar, não esquecendo de detectar o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento, tentando sempre manter as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento, “pois estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de escrever – tarefa de sujeito e não de objeto”. Comparando com a operação mental transferir, reforça a mesma concepção de Freire, pois esta operação consiste em reproduzir ou aplicar o aprendido, todavia é essencial a modificação e o ajuste as novas situações. Freire mostra que a postura crítica de quem estuda implica no seu protagonismo como sujeito para marcar sua história com autenticidade de sua vida.

 

 b) Em Freire, o segundo aspecto a ser analisado no ato de estudar é a sua atitude frente ao mundo, não reduzindo meramente ao binômio leitor-livro, ou leitor-texto, mas é preciso pensar na prática, relacionar tanto com os outros quanto com a realidade, mantendo a curiosidade no questionamento, na indagação e busca. Nesta ação é importante destacar que a forma como se estuda representa a postura que se toma frente ao mundo e necessita estar agindo em conjunto com a responsabilidade para que o êxito aconteça no trato de ultrapassar os limites já alcançados, abrindo novos horizontes na transformação pessoal, cultural, intelectual e até mesmo social.

 

c) De acordo com Freire, o estudo de um tema específico requer do estudante que se ponha, na medida do possível a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietação. d) E que o ato de estudar é assumir uma interação dialógica com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata, pois esta relação dialógica implica na percepção do condicionamento histórico-sociológico e ideológico do autor, nem sempre o mesmo do leitor. Reforçando esta idéia é que uma das operações mentais chamada classificar analisa o ato de estudar até mesmo pelo título, e torna-se necessário classificá-lo nos diversos ramos científicos ou do próprio conhecimento humano, e analisa que a medida que se coloca o “tema” em sintonia com os recursos sensitivos do estudante torna-se mais fácil classificá-lo, enriquecê-lo e desdobrar em novos assuntos, ou seja, vai além da compreensão das idéias do autor,  é saber comunicar-se com este e trazer suas próprias interposições e interpretações acopladas de rica argumentação e embasadas na realidade em que se gesta.

 

e) Por fim, Freire chama a atenção para que quando praticado, o ato de estudar demanda humildade, devendo reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. Neste aspecto, se for negada essa atitude de humildade supostamente se descartará o processo de construção do conhecimento, já que não haverá reflexão e ocasionará uma ineficácia na apropriação do conteúdo e poderá se perder a chance de construir um modo de fazer e agir no mundo.

 

De tudo o que foi analisado até aqui foi de grande valia quanto ao entendimento e compreensão do ato de estudar e Freire foi muito feliz quando escreveu que “estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las”, porque não se pode querer que o fingimento de uma suposta intelectualidade de ler livros possa superar a condição de um ser inacabado em constante transformação e complexo, que necessita aprender diariamente a construir e reconstruir novas histórias, abolindo a passividade, a mera reprodução, acrítica e irreflexão frente à realidade ilimitada de conhecimento.

 

 

 

REFERÊNCIA

UNIFESP. O Ato de Estudar. Disponível em: http://www.unifesp.br/centros/cedes/CD-Rom/estudo.htm#. Acesso em: 23/05/09.

 


[*] Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de  pós – graduação em Gestão Pública na Argumento Pós Graduação, trabalha atualmente como assistente social na Secretaria de Desenvolvimento Social de Camaçari/Ba  e coordena a equipe técnica do  Programa BPC na Escola no município.  

[†] Por função psicológica a escola soviética de Psicologia entende uma rede complexa de processos biológicos, psíquicos e sócio-culturais que definem um determinado modo de ser e agir no mundo. Assim, destaca a atenção, memória, percepção como funções que se complexificam no curso da aprendizagem e desenvolvimentos humanos, possibilitando ao indivíduo adulto a auto-regulação:função nuclear que sinaliza níveis diferenciados de abstração, análise, síntese, relações entre eventos e a própria vontade.  (UNIFESP,2009).

[‡] Durante o ato de estudar a mente realiza algumas operações como: classificar, seriar, relacionar, analisar, reunir e compor conjuntos de sistemas, sintetizar, representar, argumentar, transferir e avaliar. (FERNANDEZ, 1998, Apud UNIFESP).

Mensagem de um doador anônimo

2009
09.09

“Não chamem meu falecimento de leito de morte, mas de leito de vida. Dêem minha visão ao homem que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma criança ou o amor nos olhos de uma mulher. Dêem meu coração a uma pessoa cujo coração apenas experimentou dias infindáveis de dor. Dêem meu sangue ao jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para que ele possa viver para ver os seus netos brincarem. Dêem meus rins às pessoas que precisam de uma máquina para viver de semana em semana. Retirem meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e encontrem um meio para fazer uma criança inválida caminhar. Explorem cada canto do meu cérebro. Retirem minhas células, se necessário, e deixem-nas crescerem para que, um dia, um menino mudo possa ouvir o grito em um momento de felicidade ou uma menina surda possa ouvir o barulho da chuva de encontro à sua janela. Queimem o que restar de mim e espalhem as cinzas ao vento, para ajudarem as flores a brotarem. Se tiverem que enterrar algo, que sejam meus erros, minhas fraquezas e todo o mal que fiz aos meus semelhantes. Se, por acaso, desejarem se lembrar de mim, façam uma ação ou palavra amiga a alguém que precise de vocês. Se fizerem tudo o que pedi, estarei vivo para sempre.”

Charges

2009
08.17

 

 

19 anos do ECA e a infância roubada

2009
07.23

Em 13 de julho de 1990, foi criado a Lei 8.069, ou seja, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que acabou de completar seus 19 anos. A sua criação representa um marco no trato aos direitos das Crianças e Adolescentes do Brasil, substituindo o antigo Código de Menores que se limitava as crianças e adolescentes infratores e os tratava como um grande problema social.

O ECA garante proteção integral as crianças e adolescentes pois estes gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo asseguradas todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em liberdade e total dignidade, sendo dever da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar a efetivação dos direito à vida, à saúde, à cultura, à educação, ao esporte, ao laser, à profissionalização, ao respeito, a convivência familiar e comunitária. Todavia o nosso maior desafio é fazer valer estes direitos no cotidiano e serem colocadas em prática às discussões advindas das conferências, congressos e da própria legislação.

Apesar dos avanços ainda existem muitas crianças e adolescentes tendo sua infância roubada como retrata o vídeo abaixo.

Heal the world – Michael Jackson

2009
07.07

Que possamos continuar a lutar e acreditar na cura do mundo…

A nossa vida aqui neste mundo é só uma passagem e que o tempo que estivermos nele vamos  semear a paz, o amor, a restauração, a esperança e dizer não a destruição e a todas as formas de violação ao nosso semelhante.   

Violência contra a mulher

2009
07.03

A violência contra a mulher segundo a ONU uma em cada três mulheres no mundo já foram vítimas de algum tipo de violência tanto agressão física, quando psicológica e sexual. E de acordo com a OMS(Organização Mundial da Saúde), 70%  dos assassinatos a mulher são praticados pelos seus maridos ou parceiros. E a cada 15 segundos uma mulher é agredida em nosso país.

Para saber mais dados referente a violência contra a mulher

Mulheres, não podemos deixar de lutar, a Lei Maria da Penha Nº 11340 só se tornou possível mediante a luta e precisa ser efetivada a cada situação de desagravo e violação. Casos como o que aconteceu no dia 26 de junho de 2009 em Lauro de Freitas-BA, não podem ficar impune, onde uma assistente social foi brutalmente torturada pelo “companheiro” Adalberto França Araújo Filho. Veja nota CFESS


Programa BPC na escola

2009
06.19

Promover a dignidade e emancipação das pessoas com deficiência não é tarefa fácil, todavia não é impossível quando praticando e exercendo a cidadania por meio de ações intersetoriais na área da saúde, educação, assistência e direitos humanos.

 

O Programa Federal BPC na Escola visa construir um mundo mais inclusivo para nossas crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade beneficiárias do BPC.  Pois segundo últimos batimentos de dados do BPC x MEC, 70,47% das pessoas com deficiência de 0 a 18 anos estão fora da escola. No caso específico do estado da Bahia 77,49%  estão distantes das salas de aula.

 

Diante destes dados, me pergunto: Onde estão esses beneficiários? Por que estão fora das escolas? É em busca destas respostas que o Programa foi criado (Portaria Interministerial nº 18, de 24 de abril de 2007) e  pretende acompanhar e monitorar o acesso e permanência na escola das pessoas com deficiência de 0 a 18 anos beneficiárias do BPC, além de identificar as principais barreiras que  impossibilita esses usuários de ter o seu direito a educação, para posteriormente desenvolver estratégias  e políticas públicas para superação das mesmas.

 

Estou muito confiante neste Programa e acredito que esse público merece ter o resgate de sua dignidade e políticas públicas efetivas. Cidadãos procurem saber se seu município aderiu ao Programa e não hesite em cobrar do político que você colocou no poder a implementação do mesmo em seus municípios, pois não podemos ficar de mãos atadas e ver as pessoas com deficiência excluídas das escolas.

O Serviço Social na Educação

2009
05.06

O profissional de Serviço Social por possuir preparação técnica-metodológica diante das situações da questão social, reforça a importância deste serviço dentro das escolas atuando em uma equipe interdisciplinar, trabalhará não somente com base na política educacional do binômio educando e família. Como também no ramo dos direitos sociais, construção de um projeto político-pedagógico voltado para a ampliação e garantia de direitos. Além de ser um elo na mediação entre os programas de transferência de renda e complementares.

Dentro desta realidade a necessidade de implementar o Serviço Social dentro das instituições de ensino público é tida como uma resposta para minimizar as tensões sociais, como uma importante intervenção junto aos alunos com ações sócio-educativas, palestras quanto aos seus direitos sociais, alternativas de êxito frente aos programas e projetos sociais oferecidos a crianças e adolescentes com perfil para tal. Além da decodificação e encaminhamentos a rede social das diversas demandas sociais, que atualmente é desconhecida da equipe escolar.

A escola hoje, principalmente as públicas, contam com um público fragilizado, vivendo em péssimas condições de vida, sendo fruto da estrutura social vigente, dentro de um mundo globalizado e desigual refletido nas escolas públicas. Diante disso, é preciso estruturar a política educacional de forma ampla e holística frente às transformações sociais desafiadoras. Dentre essas necessidades de trabalho profissional, encontra-se a luta pela inserção do assistente social na esfera educacional de acordo com os Projetos de Lei (PL) nº 3.688 e nº 837 de 05 de julho de 2005.

A presença dos assistentes sociais nas escolas expressa uma tendência de compreensão da própria educação em uma dimensão mais integral, envolvendo os processos sócio-institucionais e as relações sociais, familiares e comunitárias que fundam uma educação cidadã, articuladora de diferentes dimensões da vida social como constitutivas de novas formas de sociabilidade humana, nas quais o acesso aos direitos sociais é crucial.

Os problemas sociais não podem ser enfrentados como situações autônomas, sem relação com as causas estruturais que os produzem. Assegurar o direito à educação significa garantir o acesso e a permanência das crianças e adolescentes na escola, discussão que obrigatoriamente, atravessa temas da realidade social, política, econômica e cultural brasileira. É dentro dessa complexidade que devemos buscar cada vez mais a integração das políticas setoriais, o entrelaçamento de respostas ainda hoje muito segmentadas às necessidades sociais, para potencializar os resultados.

Cabe salientar que a inserção do Serviço Social na educação contribuirá na garantia da democratização, do acesso do cidadão à educação, na qualidade do ensino e no desenvolvimento cultural do indivíduo. Instalando na escola sua função social na proteção de direitos a crianças e adolescentes conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente e trabalhando com as facetas da questão social dentro das escolas públicas.

Compreende-se que a prática profissional do Assistente Social não está firmada sobre uma única necessidade, sua especificidade está no fato de atuar sobre várias necessidades. Assim, para que esta prática contribua no processo educacional, é preciso que seja crítica e participativa e esteja relacionada com as dimensões estruturais e conjunturais da realidade, ou seja, baseada no conhecimento da realidade em sua totalidade.

SOCIEDADE CAPITALISTA, QUESTÃO AMBIENTAL E O PAPEL DO GESTOR PÚBLICO.

2009
05.04

 

Santiane Araújo Godinho[1]

 

RESUMO:

O presente trabalho tem como objetivo analisar de forma história e reflexiva as transformações ocorridas após a ascensão capitalista e os impactos ambientais ocorridos das relações de produção e como intervir em busca de uma consciência crítica da sociedade e o papel do Gestor Público neste processo.

 

PALAVRAS-CRAVES: Capitalismo, Meio ambiente, Sociedade, Gestão Pública.

 

Com o fim do feudalismo um novo modo de produção se instaura, o capitalismo. O crescimento do capital comercial estabeleceu novas relações na sociedade, financiou as cruzadas que deu início a uma nova fase do capital, o capital mercantil, onde as relações de trabalho capitalista tomaram contornos mais definidos.

O capital industrial veio consolidar alguns aspectos com o trabalho assalariado, a divisão social do trabalho, a busca incessante pela produtividade e consequentemente pelo lucro e as inovações tecnológicas; deixando rastros de desigualdade social, conflitos, greves e desemprego, em função do crescimento desordenado das cidades e degradação dos recursos naturais, utilização de matérias-primas cada vez maiores não pensando no futuro da humanidade e mantendo ideologicamente um padrão consumista, individualista e degradante.  

Na era capitalismo financeiro incorporado a globalização e tecnologia da informação acelerou o processo de socialização entre as nações e de acordo com Castells (2000) com o surgimento de um novo paradigma tecnológico na década de 70 embasado na tecnologia da informação, em um segmento específico da sociedade americana em interatividade com a economia global e a geopolítica mundial, que concretizou um novo estilo de produção, comunicação, gerenciamento e vida. 

Diante do desenfreado estilo de produção gerado pelo modelo capitalista de mais-valia, a questão ambiental vem sido tratada pelas nações mundialmente relacionadas pelo processo de globalização como um fator crucial para a continuidade da vida no planeta, todavia nem sempre acordos relativos a preservação ambiental são respeitados e colocados em prática, como o Protocolo de Kyoto que tem buscado a redução dos gases e que provocam o efeito estufa decorrentes das fábricas dos países mais poluidores, como é o exemplo dos EUA, este país por sua vês na figura de seu representante Bush não assinou o referente protocolo.

Isso remete para uma análise mais profunda quanto a percepção ecológica que os indivíduos precisam tomar em busca de uma nova forma de se viver, abandonado padrões e comportamentos meramente fúteis de consumo e produção e pensar  mais quanto as conseqüências que este padrão tem trazido e questionar a ideologia materialista.

O fator ecológico é um indicador social que se enquadra no aspecto vital que de acordo com Lago (2002) é expresso pela degradação ambiental, e segundo este autor o grau de degradação após esta era modernizante está se tornando iguais tanto nos países desenvolvidos e quanto nos subdesenvolvidos, todavia em sua idealizadora sociedade “socialmente desenvolvida” esta degradação ambiental terá de ser baixa.  Que na verdade não deixa de ser um anseio de quem realmente busca uma nova visão de mundo, onde a natureza e os impactos ambientais tão vastamente latentes na sociedade de hoje possam ser minorados, em prol da própria existência humana.

Segundo a concepção de Serpa (1993) “é uma necessidade histórica a ruptura da modernidade e o surgimento de um novo homem, vivendo em uma nova sociedade, com um novo modo de produção da ciência e de bens materiais e uma nova ordem política e econômica internacional, justa e distributiva.” 

De acordo com Al Gore (2006) se a humanidade continuar a não pensar de forma coerente entre o que produz e o que se realiza a favor da preservação ambiental, quanto o efeito estufa, por exemplo, milhões de vidas estarão condenadas pelas alterações climáticas. Este aspecto é nitidamente a resposta da própria natureza ao modo de vida que está se vivendo e poderá piorar caso não haja uma intervenção que não coloque em risco a capacidade de sustentabilidade do planeta, pois tanto ricos quanto pobres serão afetados, neste campo o poder aquisitivo da classe dominante não comprará a sua sobrevivência.

Cabe Gestor Público discutir alternativas da relação do homem e o seu meio, num trabalho interdisciplinar de conscientização, responsabilidade, na preservação como também na conservação deste, além de medidas sócio-educativas na busca de novas fontes de energia e punições severas quanto a violação deste direito ecológico.

É preciso olhar de forma holística em rumo à uma transformação cultural, rompendo com padrões que atrasam e desqualificam a toda estrutura social, acompanhando  as mudanças e evoluções tecnológicas a favor da natureza, aprimorando os instrumentos necessários a qualidade de vida e dando respostas positivas às necessidades demandadas.

O Gestor deve ter em mente que não trabalhará sozinho, é necessário ter a capacidade de interagir de forma clara, objetiva, sujeito às críticas, aprimoramento e capaz de liderar com competência, responsabilidade, dinamismo, flexibilização e técnica, qualificando-se sempre que necessário e constantemente em conjunto  com a sociedade civil organizada, instituições privadas,  na busca de resolução dos problemas ambientais, como declara Castells(2000) quando aponta a necessidade de um “Estado-rede”.

REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel. Prólogo: a Rede e o Ser. In: A sociedade em Rede: A era da informação, sociedade e cultura.4ª ed. Trad. Klauss B. Gerhardt e Roneide V. Majer. São Paulo: Paz e Terra, 2000. (V.01) (pp.21-47)

 

GORE, AL. Uma Verdade inconveniente: um aviso global. EUA,2006.

 

LAGO, B. Marcos. Curso de sociologia política. 4ªed. Petrópolis: Vozes, 2002. (pp.190-222).

 

SEPRA, Luiz Felipe Perret. A crise da modernidade: Para onde vamos? In:BAHIA Na. &dados, Salvador. CEI, v.3 nº.01, p.5-11, jun. 1993.

 

[1] Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de pós-graduação em Gestão Pública da Argumento Pós-Graduação.


Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências.

2009
04.16

Resenha. BRANDÃO, Hugo Pena e BABRY, Carla Patrícia. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público, Brasília 56(2):179-194 Abr/Jun 2005.

O presente texto apresenta conceitos quanto à gestão por competência, o próprio conceito de competência, os métodos e técnicas utilizadas para a realização do mapeamento de competência, além de reflexões deste modelo no setor público. A obra mostra a importância da gestão por competência como um instrumento alternativo dentro das organizações privadas e públicas na busca de diminuir ou eximir o gap  ou a lacuna que encontra-se na mediação das competências necessárias na efetivação do objetivos e as disponíveis na organização, esta por sua vez, possibilita a implementação do mapeamento de competências.

Antes de se apoderar da gestão por competência e do mapeamento foi abordado que competência pode ser tanto humanas ou profissionais – tidas como uma interação de conhecimentos, habilidades e atitudes que são refletidas no espaço laborativo como forma observável de desempenho profissional e que produz um resultado – ou competência referente a equipes de trabalho ou organizacional – revelando que para cada tipo de equipe no trabalho é apresentada uma competência coletiva que nada mais é, do que as relações sociais dos indivíduos vivendo no grupo e de seus sinérgicos relacionamentos de competência.

A gestão por competência evidencia a possibilidade de planejamento, captação, desenvolvimento e avaliação do ambiente organizacional com foco nos seus objetivos. Com base nesta gestão existe um processo que se inicia na formulação da estratégia institucional que inclui definição da missão, visão de futuridade, os objetivos estratégicos para posteriormente serem pontuados os indicadores de desempenho e as sua metas.

A partir dessa primeira fase estabelecida abre a possibilidade concreta de se processar o mapeamento de competências e só através desta etapa tecnicamente elaborada que as outras fases se realizarão que são: a captação (seleciona as competências externas na integração organizacional, que pode ser tanto a nível individual no recrutamento e seleção de pessoal quanto a nível organizacional nas referidas alianças ou parcerias), o desenvolvimento ( destina-se ao aprimoramento das competências internas, também nos dois níveis, o individual que se pauta na aprendizagem que possibilita o desenvolvimento das competências e no organizacional centrado nos investimentos na pesquisa), o acompanhamento e avaliação (pauta-se no monitoramento dos planos, gestão, indicadores de desempenho na alteração de qualquer desvio, apurando os resultados alcançados versus esperados) e por fim a retribuição (possibilitaria o reconhecimento e até mesmo premiar ou remunerar o profissional ou equipe que contribuíram na alcance dos resultados almejados pela organização, servindo de espelho para outros e nas reparações desviantes).

Diante disso, no mapeamento de competência são utilizados os métodos e técnicas que possibilitem identificar as competências necessárias para atendimento dos objetivos organizacional, na identificação primordial das possíveis lacunas. No primeiro momento é feito uma pesquisa análise documentária da missão, visão de futuridade, objetivos e estratégias na organização e em seguida é estabelecida a coleta de dados, devem ser levadas em consideração uma metodologia clara e de fácil entendimento na descrição de competências, longe de ambigüidades, obviedades, etc.

Os autores apresentam as seguintes técnicas de pesquisas: entrevista (é realizado um roteiro de perguntas aos indivíduos selecionados de maior conhecimento da organização e sua percepção na busca de respostas quanto as competências  de relevância para a organização), entrevista coletiva ou  grupo focal  (o entrevistado é o moderador do grupo de 6 a 12 pessoas e atua na coordenação das discussões de temas direcionados na obtenção de seus anseios na tentativa de identificar as competências relevantes, neste caso o entrevistador deverá montar seu roteiro de questões e registro de dados), observação (pode ser participante – o entrevistador faz parte da equipe, ou não participante – este por sua vez  é um mero espectador, todavia não se dispensa a confiança e o aspecto amistoso nesta relação, na análise de comportamentos peculiares dos envolvidos) e o  questionário ( é o mais utilizado no mapeamento de competências nas organizações, requerendo a análise documental, observação e entrevista na procura de aspectos para sua composição, podendo ser elaborados sob as escalas de Osgood, likert ou comparativa, nesta técnica deve-se incluir dados pessoais para análises quantitativas).

Para os autores a incorporação de toda esta rede de mapeamento e competência já é de propriedade do setor privado e isso com certeza é de se esperar, já que, proporciona a melhoria da qualidade organizacional através do alcance dos resultados almejados. Bem como, os questionamentos manifestados frente ao setor público são relevantes, apesar de já existirem aproximações de algumas empresas públicas e agências reguladoras neste modelo de gestão, realmente é necessária uma ampla discussão e investigação quanto a aplicabilidade da gestão de competência nesta esfera. Todavia é possível agregar alguns aspectos desta gestão, pois a qualidade dos serviços é o reflexo das competências individuais ou organizacionais.

As respostas aos questionamentos referidos pelos autores apesar de para os mesmos parecerem sem respostas agora, acredito que poderão ser respondidas à medida que se colocar em prática a iniciativa do gestor e da sociedade socialmente organizada em buscá-las, caso estejam relacionada às suas peculiaridades, na investida nas pesquisas, na qualificação de seus servidores, no monitoramento e punições de aspectos desviantes de competência dentro do setor público, dentre outros, pois a prestação dos serviços oferecidos deve ser digna e de qualidade a todos os cidadãos e principalmente os mais carentes.

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