O ato de estudar

2009
09.09

FREIRE, Paulo. Pausa para pensar: considerações em torno do ato de estudar. (Digitado). [s.m.r.].

 RESENHA

 

Por  Santiane Araújo Godinho[*]

 

Paulo Reglus Neves Freire, nasceu na cidade de Recife-PE no ano de 1921. Exerceu com maestria o seu papel de educador – de professor a criador de idéias e métodos. Expressou a sua filosofia em 1958 na sua tese de concurso para ingresso da Universidade Federal do Recife como professor das disciplinas de História e Filosofia da Educação. É dessa época as suas primeiras experiências de alfabetização.

 

É vasta sua produção literária. Do livro Ação cultural para a liberdade e outros escritos foi selecionado o texto Considerações do ato de estudar, onde afirma que toda aprendizagem passa obrigatoriamente pelo ato de estudar.

 

Considera que estudar é realmente um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma postura crítica e sistemática, além de disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a. Reforçando esta idéia, é que Holanda (1967) apud UNIFESP diz que estudar é basicamente aplicar a inteligência para aprender, ou seja, é preciso agir, é ação, é sair da inércia e construir conhecimento.

 

Aborda também a existência de uma “educação bancária” que visa tão somente a memorização. Quem estuda não pode e não deve ser um repositório de conhecimentos e teorias pré-estabelecidas pelo professor, sendo indispensável criticidade para a busca da compreensão.

 

Assim, esta postura crítica, para Freire torna-se instrumento fundamental e indispensável ao ato de estudar, pois segundo o mesmo é preciso que o estudante execute algumas atitudes, que serão nesta obra relacionadas com outros aspectos, já que, conforme UNIFESP, quando se exerce o ato de estudar a pessoa acaba desenvolvendo diferentes funções psicológicas[†] e operações mentais[‡] objetivando a desenvolver estruturas cognitivas mais flexíveis, amplas e integradas, desenvolvendo a capacidade de realizar novas relações e conceitos a fim de construir conhecimento, vejamos:

 

a) Para Freire o sujeito precisa assumir o papel de sujeito no ato de estudar, não esquecendo de detectar o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento, tentando sempre manter as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento, “pois estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de escrever – tarefa de sujeito e não de objeto”. Comparando com a operação mental transferir, reforça a mesma concepção de Freire, pois esta operação consiste em reproduzir ou aplicar o aprendido, todavia é essencial a modificação e o ajuste as novas situações. Freire mostra que a postura crítica de quem estuda implica no seu protagonismo como sujeito para marcar sua história com autenticidade de sua vida.

 

 b) Em Freire, o segundo aspecto a ser analisado no ato de estudar é a sua atitude frente ao mundo, não reduzindo meramente ao binômio leitor-livro, ou leitor-texto, mas é preciso pensar na prática, relacionar tanto com os outros quanto com a realidade, mantendo a curiosidade no questionamento, na indagação e busca. Nesta ação é importante destacar que a forma como se estuda representa a postura que se toma frente ao mundo e necessita estar agindo em conjunto com a responsabilidade para que o êxito aconteça no trato de ultrapassar os limites já alcançados, abrindo novos horizontes na transformação pessoal, cultural, intelectual e até mesmo social.

 

c) De acordo com Freire, o estudo de um tema específico requer do estudante que se ponha, na medida do possível a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietação. d) E que o ato de estudar é assumir uma interação dialógica com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata, pois esta relação dialógica implica na percepção do condicionamento histórico-sociológico e ideológico do autor, nem sempre o mesmo do leitor. Reforçando esta idéia é que uma das operações mentais chamada classificar analisa o ato de estudar até mesmo pelo título, e torna-se necessário classificá-lo nos diversos ramos científicos ou do próprio conhecimento humano, e analisa que a medida que se coloca o “tema” em sintonia com os recursos sensitivos do estudante torna-se mais fácil classificá-lo, enriquecê-lo e desdobrar em novos assuntos, ou seja, vai além da compreensão das idéias do autor,  é saber comunicar-se com este e trazer suas próprias interposições e interpretações acopladas de rica argumentação e embasadas na realidade em que se gesta.

 

e) Por fim, Freire chama a atenção para que quando praticado, o ato de estudar demanda humildade, devendo reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. Neste aspecto, se for negada essa atitude de humildade supostamente se descartará o processo de construção do conhecimento, já que não haverá reflexão e ocasionará uma ineficácia na apropriação do conteúdo e poderá se perder a chance de construir um modo de fazer e agir no mundo.

 

De tudo o que foi analisado até aqui foi de grande valia quanto ao entendimento e compreensão do ato de estudar e Freire foi muito feliz quando escreveu que “estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las”, porque não se pode querer que o fingimento de uma suposta intelectualidade de ler livros possa superar a condição de um ser inacabado em constante transformação e complexo, que necessita aprender diariamente a construir e reconstruir novas histórias, abolindo a passividade, a mera reprodução, acrítica e irreflexão frente à realidade ilimitada de conhecimento.

 

 

 

REFERÊNCIA

UNIFESP. O Ato de Estudar. Disponível em: http://www.unifesp.br/centros/cedes/CD-Rom/estudo.htm#. Acesso em: 23/05/09.

 


[*] Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de  pós – graduação em Gestão Pública na Argumento Pós Graduação, trabalha atualmente como assistente social na Secretaria de Desenvolvimento Social de Camaçari/Ba  e coordena a equipe técnica do  Programa BPC na Escola no município.  

[†] Por função psicológica a escola soviética de Psicologia entende uma rede complexa de processos biológicos, psíquicos e sócio-culturais que definem um determinado modo de ser e agir no mundo. Assim, destaca a atenção, memória, percepção como funções que se complexificam no curso da aprendizagem e desenvolvimentos humanos, possibilitando ao indivíduo adulto a auto-regulação:função nuclear que sinaliza níveis diferenciados de abstração, análise, síntese, relações entre eventos e a própria vontade.  (UNIFESP,2009).

[‡] Durante o ato de estudar a mente realiza algumas operações como: classificar, seriar, relacionar, analisar, reunir e compor conjuntos de sistemas, sintetizar, representar, argumentar, transferir e avaliar. (FERNANDEZ, 1998, Apud UNIFESP).

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One Response to “O ato de estudar”

  1. july Sonhos disse:
    EU TENHO UM GRANDE SONHO EM RELAÇÃO A VIDA JA QUE DEUS ME DEU UMA NOVA CHANCE PRA CONSERTA O QUE FIZ DE ERRADO MEU MAIOR SONHO E DOAR MINHA VIDA QUANDO JA PODERES ESTAR AQUI. POIS ENQUANTO VIVIR ERREI E SEI QUE EXISTE PESSOAS QUE PRICESAM VIVER E NUNCA ERRARAM NAO E JUSTO QUE EU LEVE MEUS ORGÃOS COMIGO SABENDO QUE EXISTE ALGUEM QUE VIVERIA NO MUNDO A VIDA INTEIRA SEM COMETER NENHUM DELITO OU CALUNIA CONTRA DEUS SE TIVESSE UMA NOVA CHANCE DE DEUS POR ISSO ME DICIDIR DIVIR UM POUCO DA CHANCE DE DEUS COM O PROXIMO Juliete da paz sonhos

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