O ato de estudar

09 de setembro de 2009

FREIRE, Paulo. Pausa para pensar: considerações em torno do ato de estudar. (Digitado). [s.m.r.].

 RESENHA

 

Por  Santiane Araújo Godinho[*]

 

Paulo Reglus Neves Freire, nasceu na cidade de Recife-PE no ano de 1921. Exerceu com maestria o seu papel de educador – de professor a criador de idéias e métodos. Expressou a sua filosofia em 1958 na sua tese de concurso para ingresso da Universidade Federal do Recife como professor das disciplinas de História e Filosofia da Educação. É dessa época as suas primeiras experiências de alfabetização.

 

É vasta sua produção literária. Do livro Ação cultural para a liberdade e outros escritos foi selecionado o texto Considerações do ato de estudar, onde afirma que toda aprendizagem passa obrigatoriamente pelo ato de estudar.

 

Considera que estudar é realmente um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma postura crítica e sistemática, além de disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a. Reforçando esta idéia, é que Holanda (1967) apud UNIFESP diz que estudar é basicamente aplicar a inteligência para aprender, ou seja, é preciso agir, é ação, é sair da inércia e construir conhecimento.

 

Aborda também a existência de uma “educação bancária” que visa tão somente a memorização. Quem estuda não pode e não deve ser um repositório de conhecimentos e teorias pré-estabelecidas pelo professor, sendo indispensável criticidade para a busca da compreensão.

 

Assim, esta postura crítica, para Freire torna-se instrumento fundamental e indispensável ao ato de estudar, pois segundo o mesmo é preciso que o estudante execute algumas atitudes, que serão nesta obra relacionadas com outros aspectos, já que, conforme UNIFESP, quando se exerce o ato de estudar a pessoa acaba desenvolvendo diferentes funções psicológicas[†] e operações mentais[‡] objetivando a desenvolver estruturas cognitivas mais flexíveis, amplas e integradas, desenvolvendo a capacidade de realizar novas relações e conceitos a fim de construir conhecimento, vejamos:

 

a) Para Freire o sujeito precisa assumir o papel de sujeito no ato de estudar, não esquecendo de detectar o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento, tentando sempre manter as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento, “pois estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de escrever – tarefa de sujeito e não de objeto”. Comparando com a operação mental transferir, reforça a mesma concepção de Freire, pois esta operação consiste em reproduzir ou aplicar o aprendido, todavia é essencial a modificação e o ajuste as novas situações. Freire mostra que a postura crítica de quem estuda implica no seu protagonismo como sujeito para marcar sua história com autenticidade de sua vida.

 

 b) Em Freire, o segundo aspecto a ser analisado no ato de estudar é a sua atitude frente ao mundo, não reduzindo meramente ao binômio leitor-livro, ou leitor-texto, mas é preciso pensar na prática, relacionar tanto com os outros quanto com a realidade, mantendo a curiosidade no questionamento, na indagação e busca. Nesta ação é importante destacar que a forma como se estuda representa a postura que se toma frente ao mundo e necessita estar agindo em conjunto com a responsabilidade para que o êxito aconteça no trato de ultrapassar os limites já alcançados, abrindo novos horizontes na transformação pessoal, cultural, intelectual e até mesmo social.

 

c) De acordo com Freire, o estudo de um tema específico requer do estudante que se ponha, na medida do possível a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietação. d) E que o ato de estudar é assumir uma interação dialógica com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata, pois esta relação dialógica implica na percepção do condicionamento histórico-sociológico e ideológico do autor, nem sempre o mesmo do leitor. Reforçando esta idéia é que uma das operações mentais chamada classificar analisa o ato de estudar até mesmo pelo título, e torna-se necessário classificá-lo nos diversos ramos científicos ou do próprio conhecimento humano, e analisa que a medida que se coloca o “tema” em sintonia com os recursos sensitivos do estudante torna-se mais fácil classificá-lo, enriquecê-lo e desdobrar em novos assuntos, ou seja, vai além da compreensão das idéias do autor,  é saber comunicar-se com este e trazer suas próprias interposições e interpretações acopladas de rica argumentação e embasadas na realidade em que se gesta.

 

e) Por fim, Freire chama a atenção para que quando praticado, o ato de estudar demanda humildade, devendo reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. Neste aspecto, se for negada essa atitude de humildade supostamente se descartará o processo de construção do conhecimento, já que não haverá reflexão e ocasionará uma ineficácia na apropriação do conteúdo e poderá se perder a chance de construir um modo de fazer e agir no mundo.

 

De tudo o que foi analisado até aqui foi de grande valia quanto ao entendimento e compreensão do ato de estudar e Freire foi muito feliz quando escreveu que “estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las”, porque não se pode querer que o fingimento de uma suposta intelectualidade de ler livros possa superar a condição de um ser inacabado em constante transformação e complexo, que necessita aprender diariamente a construir e reconstruir novas histórias, abolindo a passividade, a mera reprodução, acrítica e irreflexão frente à realidade ilimitada de conhecimento.

 

 

 

REFERÊNCIA

UNIFESP. O Ato de Estudar. Disponível em: http://www.unifesp.br/centros/cedes/CD-Rom/estudo.htm#. Acesso em: 23/05/09.

 


[*] Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de  pós – graduação em Gestão Pública na Argumento Pós Graduação, trabalha atualmente como assistente social na Secretaria de Desenvolvimento Social de Camaçari/Ba  e coordena a equipe técnica do  Programa BPC na Escola no município.  

[†] Por função psicológica a escola soviética de Psicologia entende uma rede complexa de processos biológicos, psíquicos e sócio-culturais que definem um determinado modo de ser e agir no mundo. Assim, destaca a atenção, memória, percepção como funções que se complexificam no curso da aprendizagem e desenvolvimentos humanos, possibilitando ao indivíduo adulto a auto-regulação:função nuclear que sinaliza níveis diferenciados de abstração, análise, síntese, relações entre eventos e a própria vontade.  (UNIFESP,2009).

[‡] Durante o ato de estudar a mente realiza algumas operações como: classificar, seriar, relacionar, analisar, reunir e compor conjuntos de sistemas, sintetizar, representar, argumentar, transferir e avaliar. (FERNANDEZ, 1998, Apud UNIFESP).

SOCIEDADE CAPITALISTA, QUESTÃO AMBIENTAL E O PAPEL DO GESTOR PÚBLICO.

04 de maio de 2009

 

Santiane Araújo Godinho[1]

 

RESUMO:

O presente trabalho tem como objetivo analisar de forma história e reflexiva as transformações ocorridas após a ascensão capitalista e os impactos ambientais ocorridos das relações de produção e como intervir em busca de uma consciência crítica da sociedade e o papel do Gestor Público neste processo.

 

PALAVRAS-CRAVES: Capitalismo, Meio ambiente, Sociedade, Gestão Pública.

 

Com o fim do feudalismo um novo modo de produção se instaura, o capitalismo. O crescimento do capital comercial estabeleceu novas relações na sociedade, financiou as cruzadas que deu início a uma nova fase do capital, o capital mercantil, onde as relações de trabalho capitalista tomaram contornos mais definidos.

O capital industrial veio consolidar alguns aspectos com o trabalho assalariado, a divisão social do trabalho, a busca incessante pela produtividade e consequentemente pelo lucro e as inovações tecnológicas; deixando rastros de desigualdade social, conflitos, greves e desemprego, em função do crescimento desordenado das cidades e degradação dos recursos naturais, utilização de matérias-primas cada vez maiores não pensando no futuro da humanidade e mantendo ideologicamente um padrão consumista, individualista e degradante.  

Na era capitalismo financeiro incorporado a globalização e tecnologia da informação acelerou o processo de socialização entre as nações e de acordo com Castells (2000) com o surgimento de um novo paradigma tecnológico na década de 70 embasado na tecnologia da informação, em um segmento específico da sociedade americana em interatividade com a economia global e a geopolítica mundial, que concretizou um novo estilo de produção, comunicação, gerenciamento e vida. 

Diante do desenfreado estilo de produção gerado pelo modelo capitalista de mais-valia, a questão ambiental vem sido tratada pelas nações mundialmente relacionadas pelo processo de globalização como um fator crucial para a continuidade da vida no planeta, todavia nem sempre acordos relativos a preservação ambiental são respeitados e colocados em prática, como o Protocolo de Kyoto que tem buscado a redução dos gases e que provocam o efeito estufa decorrentes das fábricas dos países mais poluidores, como é o exemplo dos EUA, este país por sua vês na figura de seu representante Bush não assinou o referente protocolo.

Isso remete para uma análise mais profunda quanto a percepção ecológica que os indivíduos precisam tomar em busca de uma nova forma de se viver, abandonado padrões e comportamentos meramente fúteis de consumo e produção e pensar  mais quanto as conseqüências que este padrão tem trazido e questionar a ideologia materialista.

O fator ecológico é um indicador social que se enquadra no aspecto vital que de acordo com Lago (2002) é expresso pela degradação ambiental, e segundo este autor o grau de degradação após esta era modernizante está se tornando iguais tanto nos países desenvolvidos e quanto nos subdesenvolvidos, todavia em sua idealizadora sociedade “socialmente desenvolvida” esta degradação ambiental terá de ser baixa.  Que na verdade não deixa de ser um anseio de quem realmente busca uma nova visão de mundo, onde a natureza e os impactos ambientais tão vastamente latentes na sociedade de hoje possam ser minorados, em prol da própria existência humana.

Segundo a concepção de Serpa (1993) “é uma necessidade histórica a ruptura da modernidade e o surgimento de um novo homem, vivendo em uma nova sociedade, com um novo modo de produção da ciência e de bens materiais e uma nova ordem política e econômica internacional, justa e distributiva.” 

De acordo com Al Gore (2006) se a humanidade continuar a não pensar de forma coerente entre o que produz e o que se realiza a favor da preservação ambiental, quanto o efeito estufa, por exemplo, milhões de vidas estarão condenadas pelas alterações climáticas. Este aspecto é nitidamente a resposta da própria natureza ao modo de vida que está se vivendo e poderá piorar caso não haja uma intervenção que não coloque em risco a capacidade de sustentabilidade do planeta, pois tanto ricos quanto pobres serão afetados, neste campo o poder aquisitivo da classe dominante não comprará a sua sobrevivência.

Cabe Gestor Público discutir alternativas da relação do homem e o seu meio, num trabalho interdisciplinar de conscientização, responsabilidade, na preservação como também na conservação deste, além de medidas sócio-educativas na busca de novas fontes de energia e punições severas quanto a violação deste direito ecológico.

É preciso olhar de forma holística em rumo à uma transformação cultural, rompendo com padrões que atrasam e desqualificam a toda estrutura social, acompanhando  as mudanças e evoluções tecnológicas a favor da natureza, aprimorando os instrumentos necessários a qualidade de vida e dando respostas positivas às necessidades demandadas.

O Gestor deve ter em mente que não trabalhará sozinho, é necessário ter a capacidade de interagir de forma clara, objetiva, sujeito às críticas, aprimoramento e capaz de liderar com competência, responsabilidade, dinamismo, flexibilização e técnica, qualificando-se sempre que necessário e constantemente em conjunto  com a sociedade civil organizada, instituições privadas,  na busca de resolução dos problemas ambientais, como declara Castells(2000) quando aponta a necessidade de um “Estado-rede”.

REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel. Prólogo: a Rede e o Ser. In: A sociedade em Rede: A era da informação, sociedade e cultura.4ª ed. Trad. Klauss B. Gerhardt e Roneide V. Majer. São Paulo: Paz e Terra, 2000. (V.01) (pp.21-47)

 

GORE, AL. Uma Verdade inconveniente: um aviso global. EUA,2006.

 

LAGO, B. Marcos. Curso de sociologia política. 4ªed. Petrópolis: Vozes, 2002. (pp.190-222).

 

SEPRA, Luiz Felipe Perret. A crise da modernidade: Para onde vamos? In:BAHIA Na. &dados, Salvador. CEI, v.3 nº.01, p.5-11, jun. 1993.

 

[1] Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de pós-graduação em Gestão Pública da Argumento Pós-Graduação.


Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências.

16 de abril de 2009

Resenha. BRANDÃO, Hugo Pena e BABRY, Carla Patrícia. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público, Brasília 56(2):179-194 Abr/Jun 2005.

O presente texto apresenta conceitos quanto à gestão por competência, o próprio conceito de competência, os métodos e técnicas utilizadas para a realização do mapeamento de competência, além de reflexões deste modelo no setor público. A obra mostra a importância da gestão por competência como um instrumento alternativo dentro das organizações privadas e públicas na busca de diminuir ou eximir o gap  ou a lacuna que encontra-se na mediação das competências necessárias na efetivação do objetivos e as disponíveis na organização, esta por sua vez, possibilita a implementação do mapeamento de competências.

Antes de se apoderar da gestão por competência e do mapeamento foi abordado que competência pode ser tanto humanas ou profissionais – tidas como uma interação de conhecimentos, habilidades e atitudes que são refletidas no espaço laborativo como forma observável de desempenho profissional e que produz um resultado – ou competência referente a equipes de trabalho ou organizacional – revelando que para cada tipo de equipe no trabalho é apresentada uma competência coletiva que nada mais é, do que as relações sociais dos indivíduos vivendo no grupo e de seus sinérgicos relacionamentos de competência.

A gestão por competência evidencia a possibilidade de planejamento, captação, desenvolvimento e avaliação do ambiente organizacional com foco nos seus objetivos. Com base nesta gestão existe um processo que se inicia na formulação da estratégia institucional que inclui definição da missão, visão de futuridade, os objetivos estratégicos para posteriormente serem pontuados os indicadores de desempenho e as sua metas.

A partir dessa primeira fase estabelecida abre a possibilidade concreta de se processar o mapeamento de competências e só através desta etapa tecnicamente elaborada que as outras fases se realizarão que são: a captação (seleciona as competências externas na integração organizacional, que pode ser tanto a nível individual no recrutamento e seleção de pessoal quanto a nível organizacional nas referidas alianças ou parcerias), o desenvolvimento ( destina-se ao aprimoramento das competências internas, também nos dois níveis, o individual que se pauta na aprendizagem que possibilita o desenvolvimento das competências e no organizacional centrado nos investimentos na pesquisa), o acompanhamento e avaliação (pauta-se no monitoramento dos planos, gestão, indicadores de desempenho na alteração de qualquer desvio, apurando os resultados alcançados versus esperados) e por fim a retribuição (possibilitaria o reconhecimento e até mesmo premiar ou remunerar o profissional ou equipe que contribuíram na alcance dos resultados almejados pela organização, servindo de espelho para outros e nas reparações desviantes).

Diante disso, no mapeamento de competência são utilizados os métodos e técnicas que possibilitem identificar as competências necessárias para atendimento dos objetivos organizacional, na identificação primordial das possíveis lacunas. No primeiro momento é feito uma pesquisa análise documentária da missão, visão de futuridade, objetivos e estratégias na organização e em seguida é estabelecida a coleta de dados, devem ser levadas em consideração uma metodologia clara e de fácil entendimento na descrição de competências, longe de ambigüidades, obviedades, etc.

Os autores apresentam as seguintes técnicas de pesquisas: entrevista (é realizado um roteiro de perguntas aos indivíduos selecionados de maior conhecimento da organização e sua percepção na busca de respostas quanto as competências  de relevância para a organização), entrevista coletiva ou  grupo focal  (o entrevistado é o moderador do grupo de 6 a 12 pessoas e atua na coordenação das discussões de temas direcionados na obtenção de seus anseios na tentativa de identificar as competências relevantes, neste caso o entrevistador deverá montar seu roteiro de questões e registro de dados), observação (pode ser participante – o entrevistador faz parte da equipe, ou não participante – este por sua vez  é um mero espectador, todavia não se dispensa a confiança e o aspecto amistoso nesta relação, na análise de comportamentos peculiares dos envolvidos) e o  questionário ( é o mais utilizado no mapeamento de competências nas organizações, requerendo a análise documental, observação e entrevista na procura de aspectos para sua composição, podendo ser elaborados sob as escalas de Osgood, likert ou comparativa, nesta técnica deve-se incluir dados pessoais para análises quantitativas).

Para os autores a incorporação de toda esta rede de mapeamento e competência já é de propriedade do setor privado e isso com certeza é de se esperar, já que, proporciona a melhoria da qualidade organizacional através do alcance dos resultados almejados. Bem como, os questionamentos manifestados frente ao setor público são relevantes, apesar de já existirem aproximações de algumas empresas públicas e agências reguladoras neste modelo de gestão, realmente é necessária uma ampla discussão e investigação quanto a aplicabilidade da gestão de competência nesta esfera. Todavia é possível agregar alguns aspectos desta gestão, pois a qualidade dos serviços é o reflexo das competências individuais ou organizacionais.

As respostas aos questionamentos referidos pelos autores apesar de para os mesmos parecerem sem respostas agora, acredito que poderão ser respondidas à medida que se colocar em prática a iniciativa do gestor e da sociedade socialmente organizada em buscá-las, caso estejam relacionada às suas peculiaridades, na investida nas pesquisas, na qualificação de seus servidores, no monitoramento e punições de aspectos desviantes de competência dentro do setor público, dentre outros, pois a prestação dos serviços oferecidos deve ser digna e de qualidade a todos os cidadãos e principalmente os mais carentes.

Plano Diretor

03 de abril de 2009

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A Gestão Pública na sua dimensão social conta com o Planejamento como ferramenta fundamental no ordenamento de políticas públicas, este por sua vez consiste em um processo contínuo totalmente interativo com a gestão, na busca de decisões direcionadas dentro da administração pública, para se obter um possível desenvolvimento social no município.

Dentro desta visão, o gestor está respaldado legalmente dentro do panorama de planejamento de um desenvolvimento urbano através do Plano Diretor, que configura um instrumento da política urbana de caráter democrático estabelecido no Estatuto das Cidades em sua Lei nº10.257/2001 para os município com mais de 20 mil habitantes. Este representa um marco histórico nas cidades brasileiras, favorecendo aos cidadãos melhorias de suas condições materiais  de existência, na tentativa de minimizar os danos da questão social fruto do modo de produção capitalista, caracterizado pela competitividade, concentração de renda, apropriação dos meios de produção por sua classe dominante minoritária, da divisão social do trabalho, na busca incessante pela produtividade e lucro, em contrapartida fomentando a desigualdade social, crescimento desordenado das cidades e degradação dos recursos naturais, utilização de matéria-prima cada vez maior e mantendo ideologicamente um padrão consumista, individualista e degradante.

O Plano Diretor  conforme Cartilha trata-se de um instrumento “para garantir a todos os cidadãos um lugar adequado para morar, trabalhar e viver com dignidade, proporcionando acesso a habitação adequada, saneamento ambiental,  ao transporte e mobilidade, ao trânsito seguro e aos serviços e equipamentos urbanos”.

O filme “Plano Diretor Participativo” mostrou as dificuldades vivenciadas pela camada pobre brasileira e da necessidade de se ter um instrumento de discussão e reflexão quanto a sua realidade, e enfatizou a importância da criação de Um Plano Diretor, este por sua vez, é um mecanismo democrático, pois como foi evidenciado que a falta de uma gestão eficaz e eficiente, e a ausência da participação social na construção do planejamento urbano acentua a disparidade entre as localidades (ricos x pobres/urbano x rural).

As cidades por serem um espaço complexo, pois a realidade é complexa, exige do gestor público uma postura criativa, versátil, dinâmica, reflexiva, flexível e prepositivo, bem como estratégias de intervenção que possibilitem diversas ações diante das realidades vivenciadas pelas comunidades para alcançar seus objetivos, porque em cada localidade surgem demandas específicas, e o profissional deve estar atento para identificá-las. Que nas palavras de Nelson  Saule (2002) “a gestão orçamentária participativa tem sido desenvolvida em diversos municípios através do instrumento de orçamento participativo que é uma forma inovadora de elaborar e executar um orçamento público, incorporando como elementos chaves a cidadania, democracia e participação.

As formulações das estratégias devem ser construídas conjuntamente com a população para respondê-las de maneira adequada as suas demandas. Cabe ressaltar que o uso de geotecnologias e Tecnologia da Informação são essenciais como ferramentas para o zoneamento de áreas municipais de forma ampla e precisa quanto aos problemas sociais e ambientais, auxiliando a administração pública na avaliação dos pleitos da sociedade, dentro do planejamento participativo, regulamentado nas Resoluções 24 e 25 do Conselho das Cidades.

Na medida em que a sociedade se mobiliza contra os problemas urbanos, na busca de formular propostas, soluções, reflexões e se colocando como sujeito da sua própria história, é capaz de questionar sua realidade e modificá-la e melhorar suas condições de vida.

O filme abordou que a socialização das informações e a existência de um canal de acesso para a sociedade expor suas inquietações e realidades provoca e permite a mudança de paradigma em favor da qualidade de vida da população.

REFERÊNCIAS:
CARTILHA. Plano Diretor Participativo. Disponível em: www.cidadedetodos.gov.br/planodiretorparticipativo
FILME. Gestão Pública: O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano: Orientação do Ministério das Cidades.
JUNIOR, Nelson Saule. Marco Legal da participação popular no Brasil. Disponível em: www.logolinkla.org

Instâncias Participativas e os interesses populares

30 de março de 2009

graunaeciaok_forumsocialmundial_bira A criação de instâncias participativas junto as camadas populares é a evidência de uma ampliação de cidadania dentro do processo de construção, execução, avaliação e fiscalização de políticas públicas respaldadas nas reais necessidaddes dos usuários/cidadãos.

Segundo pontua Nelson Saule (2002) de acordo com os postulados contituintes de 88, este institui vários mecanismos para fins de garantir uma participação direta do cidadão no Poder Público como a iniciativa popular, o referendo, o plebiscito, as consultas e audiências  públicas,  os conselhos de gestão de políticas e serviços públicos, que têm vital importância para garantir o respeito aos valores da democracia de uma sociedade fraterna e sem preconceitos.

A iniciativa governamental de integrar o controle social na efetivação das políticas públicas fomenta um espaço de realização democrática e a presença de uma gestão participativa  na tomada de decisões torna-se fundamental nas intervenções dos interesses da coletividade, favorecendo ao desenvolvimento e bem-estar social.

Ações públicas que não são elaboradas frente as reais necessidades dos cidadãos não podem ser consideradas justas, pelo contrário, são meras “politicagens”  e “tapa-buraco” e que diante do pensamento de Moreira (1980) ” a experiência de democracia participativa significa a ascensão do povo ao processo de decisão da municipalidade. Em consequencia, reduz enormemente a possibilidade de manipulação, de sinformação, de compra de votos através de promessas de favores ou, simplismente, de dinheiro, os instrumentos próprios usados pelos donos do poder para obter vitórias políticas e eleitorais”.

Dentro das organizações públicas, o velho e novo se chocam a medida que as novas configurações sociais, políticas,  econômicas e culturais surgem trazendo desafios aos gestor público, pois necessita de criatividade, reflexão constante quanto aos procedimentos a serem tomados em equipe, na obtenção de estratégias capazes de atingir objetivos direcionados ao atendimento eficaz e aficiente para a sociedade que por sinal, é composta de cidadãos/clientes que usam os serviços públicos e também estão integrados na formulação das políticas, pautados conforme as novas nuances estabelecidos na Constituinte 88 e nos demais aparatos legais.

REFERÊNCIAS:
JUNIOR, Nelson Saule. Marco legal da participação popular no Brasil. Disponível em: www.logolinkla.org
MOREIRA ALVES, Márcio. A força do povo: Democracia participativa em Lages. SP: Brsiliense, 1980.150p.

Chega de enganação!

11 de fevereiro de 2009

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Na última aula da pós, tive a oportunidade de assistir o filme de Michael Moore, que relata os bastidores pré, durante e depois do atentado de 11 de setembro em 2001. Quem já assistiu teve a oportunidade de ver de forma detalhada a relação do presidente Bush com a família Bin Laden, a sua chegada à Casa Branca após uma eleição fraudulenta e longe da democracia em 2000, a mentira das armas de destruição em massa no Iraque, a facilidade de fuga dos Bin Laden, o medo da população frente ao terrorismo, o estigma causado pelo discurso dominante em seu “Ato Patriótico” onde qualquer forma de reunião ou discussões com o nome terrorista era motivo de uma investigação do FBI, além do sofrimento de famílias que perderam seus entes queridos.

Esse acontecimento histórico de 11 de setembro, que com certeza ficará registrado nos didáticos dos meus filhos, netos e bisnetos, também estará gravado na memória de todos nós que presenciamos; outros muito mais de perto e com muito sofrimento.

Diante disso, não podemos esquecer de como é importante acompanharmos e participarmos na política de nosso país, para não sermos enganados como Bush fez com os EUA, contudo, tempo depois foi desmascarado pela investigação, fiscalização, ousadia e determinação do cidadão Moore.

Devemos evitar nos basear apenas em propagandas políticas, musiquinhas entediantes, slogan, etc. É preciso sair do analfabetismo político, conforme Bertolt Brecht explicita: O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce à prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

Nós o povo!

10 de fevereiro de 2009

De acordo com Rubens Figueiredo, os pioneiros no desenvolvimento do marketing político foram os EUA, então não é de se assustar quando as campanhas eleitorais americanas invadem o mundo, pois possuem a capacidade de explorar os meios de comunicação em massa através da pesquisa de opinião, na tentativa de desvendar os interesses do eleitorado e uma forma de buscar estratégias para a campanha.

Vejamos o seguinte vídeo:

Um pouco mais dessa trajetória aqui.

Além do Marketing Político

28 de janeiro de 2009

Segundo Figueiredo (1994), o marketing político representa o conjunto de técnicas e procedimentos com objetivo de adequar um(a) candidato(a) em direção ao seu eleitorado potencial, fazendo com que este se torne conhecido de forma abrangente pelos eleitores e diferenciada de seus adversários.

Diante disso, seria possível ganhar uma eleição sem usar o marketing político? Na atualidade do mundo globalizado e na era da revolução tecnológica dos meios de comunicação, seria inviável concorrer sem o recurso desta valiosa ferramenta marketeira. Uma eleição sem marketing político é derrota na certa, sabendo que nem todo marketing político garantirá a vitória de um candidato.

Caros leitores, as eleições acabaram, mas a campanha da cidadania continua e vai além de qualquer marketing político de um candidato nas campanhas, pois representa a efetivação das políticas públicas, a garantia dos direitos sociais, a qualidade dos serviços prestados, a transparência do bem público, a fiscalização, enfim, o controle social.

  • Não lute apenas por uma dentadura, mas por postos odontológicos funcionando para toda a comunidade;
  • Não lute por apenas por uma vaga na escola, mas por uma política de educação digna;
  • Não lute para ter a frente de sua casa melhorada, mas para que haja saneamento básico em toda rua;
  • Não lute somente por uma consulta no SUS, mas por uma saúde pública de qualidade;
  • Não lute por apenas uma cesta básica, mas por uma política de assistência social justa e oposta a qualquer forma de clientelismo ou assistencialismo;
  • Não lute apenas por suas individualidades, mas pela garantia de direitos a todos.

Os políticos não trabalham sozinhos, eles precisam da sociedade, pois serão as nossas reais necessidades e lutas por melhores condições de vida que direcionará os próximos 4 anos.